“China já deveria ser considerada como primeira economia mundial”

Na conferência promovida esta segunda feira pela União das Associações de Cooperação e de Amizade Portugal-China a opinião foi consensual: o país está na pole position da economia mundial
“China já deveria ser considerava como primeira economia mundial”

Realizou-se no final da tarde da passada segunda-feira, 21 de junho, uma conferência dedicada aos 100 anos do Partido Comunista e do reerguer da China, organizada pela recém-criada União das Associações de Cooperação e de Amizade Portugal-China.

Ao longo de pouco mais de duas horas, os três  oradores convidados explanaram pontos de vista sobre o desenvolvimento do país asiático e a previsão para 2023 da China.

Devido à pandemia, a  conferência realizou-se através da Plataforma Zoom.

Pedro Jordão, gestor e presidente do Centro de Estudo Internacional, foi o primeiro convidado a apresentar e defender algumas das suas ideias e pontos de vista.

“China já deveria ser considerada como primeira economia mundial”

Pedro Jordão começou por lembrar no seu discurso que há muito que a China já não é vista como tendo produtos de baixo valor e qualidade e exemplo disso é que neste momento apresenta-se em primeiro lugar em setores como as tecnologias de informação, energias renováveis e da inteligência artificial.

O presidente do Centro de Estudo Internacional lembrou que, de acordo com os dados entre 2008 a 2018, o PIB da Europa cresceu 9%, dos EUA 18, da Ásia 112, e o da China 128% em termos homólogos.

No entanto, “a China neste processo continua a ser não só mal compreendida pelo mundo, bem como a China tem que compreender melhor o mundo e mudar ela própria o paradigma que ainda hoje existe”. Um dos exemplos disso, é o facto da China ser o país que mais polui em todo o mundo.

Para Pedro Jordão, essa premissa não é de todo verdadeira. “Esquecemo-nos que a China possui neste momento o maior número de residentes do mundo e se fizermos as contas do índice de poluição por número de habitantes, a China está longe de ser o país mais poluidor do mundo”, defendeu.

Jordão acredita que no prazo de nove anos, o país chinês vai conseguir consolidar-se como a maior economia mundial, embora afirme que neste momento a China já deveria de ser considerada a primeira economia mundial. “Se fizermos as contas socialmente corretas, com uma comparação do PIB e do poder de compra, a China já é desde 2014 a primeira economia do mundo […] Acredito sinceramente que num prazo de nove anos a China irá consolidar-se como a primeira economia do mundo, seguindo-se a Índia e EUA”.

A China, que não tinha praticamente classe média há uns anos atrás, apresenta-se nos dias de hoje com uma classe média pujante, a maior classe média do mundo, com um potencial de consumo enorme. Só em 2019, “a China exportou 179 milhões de turistas”.

“Uma Europa forte passada por um aprofundamento de Uma Faixa Uma Rota”

Rui Lourido, historiador e presidente do Observatório da China, foi o segundo convidado da tarde e abordou o acordo global para o investimento entre Portugal, Europa e China.

Na sua intervenção, sublinhou o interesse tendencioso da alternativa à Rota da Seda apresentada pelos EUA numa tentativa desse país continuar com a sua hegemonia global.

“Defendo que, do ponto de vista europeu, é de todo interesse estabelecer-se uma relação global diversificada e a Europa parece estar a compreender […] Só assim irá a Europa conseguir aumentar a sua hegemonia e aproximar-se da China, neste momento o maior exportador e importador da Europa”, começou por dizer Rui Lourido.

“Uma Europa forte passa por um aprofundamento das vantagens de Uma Faixa Uma Rota de iniciativa chinesa”.

Numa perspetiva histórica, Rui Lourido lembrou que o PIB chinês sempre foi dos maiores do mundo até 1970. “Desde aí [1970] a China tem recuperado muito bem e acredito que em 2023 a China estará a ocupar a sua posição natural de maior economia do mundo”.

“Modelo chinês é um modelo dinâmico”

Carlos Pinto, ex-autarca e conselheiro da Câmara de Comércio Portugal-China Pequenas e Médias Empresas, encerrou o leque de convidados da conferência  com os olhos postos na China e na abertura da economia mundial. 

Sublinhou, na sua intervenção o modelo económico chinês como alternativa. “O modelo ocidental tem uma carga ideológica que não se encontra com a mesma intensidade ideológica que o modelo chinês […] Este modelo chinês apostou no desenvolvimento económico e bem estar da população”.

O conselheiro da Câmara de Comércio Portugal-China Pequenas e Médias Empresas (CCPC-PME) terminou lembrando que o chamado modelo chinês, que na sua opinião é um modelo dinâmico, prevê que haverá nos tempos próximos o sacrifício e uma dedicação para uma educação académica e que o mundo entrará na rivalidade entre estes dois modelos político-económicos”.

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